Doenças ocupacionais: quais são as principais e como preveni-las?

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As doenças ocupacionais são uma das grandes preocupações das empresas de todos os portes no país. Segundo dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, o Brasil registrou 4,5 milhões de ocorrências e 16,4 mil mortes de trabalhadores entre 2012 e 2018, incluindo acidentes e afastamentos causados por doenças.

Por conta disso, a prevenção deve estar entre as prioridades da gestão de pessoas, que não pode focar apenas a remediação desses problemas. Esse tipo de cuidado faz toda a diferença no bem-estar e na qualidade de vida dos colaboradores, além de contribuir para a melhoria dos processos internos do negócio.

Sendo assim, você sabe quais são as principais razões que levam às doenças ocupacionais, quais são as mais frequentes entre os trabalhadores brasileiros e como é possível agir para prevenir o problema em sua empresa? É o que vamos mostrar neste artigo. Confira!

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Quais são as doenças ocupacionais que mais acometem os trabalhadores brasileiros?

As doenças ocupacionais são aquelas decorrentes de situações que ocorrem dentro do ambiente de trabalho, em razão da falta ou do uso inadequado de equipamentos de proteção individual (EPIs), insalubridade e condições precárias no ambiente, entre outras. A seguir, vamos conhecer as principais delas.

LER e Dort

Começamos a lista falando de duas das doenças ocupacionais mais frequentes entre os trabalhadores brasileiros. Trata-se da Lesão por Esforços Repetitivos (LER) e dos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort). Ambas são causadas tanto pela postura inadequada no ambiente de trabalho quando pela repetição de movimentos.

Preocupar-se com a ergonomia em sua empresa e incentivar paradas para descanso em alguns momentos da jornada são formas de prevenir esses problemas, que podem, pouco a pouco, minar consideravelmente a produtividade e a saúde dos colaboradores.

Asma ocupacional

Quando as vias respiratórias se estreitam, causando sua obstrução, há sinal de que o trabalhador pode estar sofrendo de asma. Mas a característica ocupacional da doença se dá quando ela é causada pela inalação de partículas e poeiras no ambiente de trabalho capazes de provocar uma reação alérgica.

O agravo é frequente em lugares em que o serviço está relacionado à manipulação de algodão, madeira e borracha, entre outros materiais. O uso correto dos EPIs é fundamental para evitar a doença, que pode, até mesmo, levar ao afastamento do profissional.

Antracose pulmonar

Agora, falaremos sobre uma doença que, assim como a asma ocupacional, comumente afeta o trato respiratório de colaboradores das mais variadas funções: a antracose pulmonar.

Neste caso, a doença está relacionada diretamente à atuação em carvoarias e ao contato direto com a fumaça. Costuma ser mais grave do que a asma ocupacional, provocando lesões nos pulmões do colaborador. Sua prevenção também se dá por meio do uso adequado dos equipamentos de proteção individual.

Dermatose ocupacional

Os pulmões não são os únicos órgãos afetados pelas doenças ocupacionais. A pele também é comumente impactada, especialmente devido à sua extensão e à exposição aos mais diversos agentes.

Aqui, portanto, estamos falando de reações alérgicas na pele dos trabalhadores. Elas podem ser provocadas pelo contato direto com produtos químicos, como graxas e óleos mecânicos. Também é recomendado o uso de EPIs para a prevenção.

Perda auditiva

Outra doença ocupacional frequente nas empresas brasileiras, a perda auditiva pode ser total ou parcial, de acordo com a exposição do trabalhador a ruídos e sua constância. Um dos grandes problemas, nesse caso, é que a perda auditiva ocorre lentamente e pode começar de forma imperceptível.

Por isso, além do uso de EPIs, os colaboradores devem passar por exames preventivos periódicos. Com esse acompanhamento, será mais provável que se consiga evitar um dano irreversível. Muitos acreditam que a doença acomete apenas trabalhadores da indústria ou da construção civil, mas é preciso ficar atento, também, aos operadores de telemarketing.

Doenças psicossociais

Outros graves problemas que atingem os trabalhadores e que, muitas vezes, são mascarados no dia a dia das empresas são aqueles de ordem emocional, como a depressão ou a chamada síndrome de burnout.

Nesses casos, a causa pode estar em um ambiente de trabalho em que há pressão constante, desentendimentos ou cargas horárias excessivas. A gestão de pessoas eficiente é fundamental para a identificação e a prevenção dessas doenças, que levam cada vez mais colaboradores ao afastamento.

Problemas na coluna

É difícil encontrar alguém que não sofra com problemas na coluna atualmente, certo? No ambiente do trabalho, esse tipo de incômodo é ainda mais recorrente, causado pela manutenção de uma postura inadequada.

Passar informações sobre a maneira correta de realizar as funções é fundamental, mas também é preciso fornecer ergonomia e a possibilidade de atividades físicas restaurativas para toda a equipe.

Varizes

As varizes não são uma doença propriamente dita, mas uma manifestação clínica de um problema maior, chamado de doença venosa crônica. Ela acontece quando as veias, especialmente dos membros inferiores, dilatam e o corpo não tem a pressão suficiente para bombear o sangue.

A princípio, as varizes não causam qualquer tipo de problema, mas podem progredir, gerando dor e desconforto e até mesmo atuando como um fator de risco para ocorrências graves, como a trombose. Por isso, investir em estratégias como a ginástica laboral é sempre fundamental.

Contaminações e intoxicações

Colaboradores que lidam diretamente com produtos químicos e substâncias variadas também estão expostos aos perigos de contaminações e intoxicações. Esse tipo de problema pode ser bastante sério e acontecer de maneira abrupta ou progressiva.

Por isso, é fundamental oferecer não só informação sobre os riscos e formas de prevenção, mas, também, toda a aparelhagem necessária para evitar que essas substâncias entrem em contato com a pele do colaborador ou sejam, ainda, ingeridas ou inaladas por eles.

Como prevenir a ocorrência dessas doenças entre seus colaboradores?

Em cada atividade profissional, podem ocorrer mais ou menos casos de enfermidades, de acordo com o ambiente e o tipo de trabalho que é desenvolvido. Para que o problema possa ser atacado de forma mais certeira, é preciso, portanto, realizar ações de prevenção às doenças ocupacionais recorrentes na sua empresa. Alguns exemplos são:

  • reforço da importância do uso de EPIs, por meio de palestras e outros informes;
  • ampla divulgação dos riscos ambientais (físicos, químicos, biológicos ou ergonômicos);
  • planejamento e padronização de fluxos e processos;
  • promoção de diálogo entre a empresa e os trabalhadores;
  • capacitação permanente dos colaboradores;
  • realização de exames periódicos;
  • promoção de hábitos saudáveis;
  • execução de estratégias benéficas para a equipe, como a ginástica laboral.

De toda forma, podemos observar que a conscientização é, sempre, o melhor remédio para a prevenção. Por isso, os cuidados com a saúde de sua equipe começam pela instauração de processos informativos, que os deixem mais cientes de seu próprio corpo e em controle da saúde.

Qual a importância da prevenção em empresas de qualquer porte?

A importância da prevenção de doenças ocupacionais em negócios de qualquer porte pode ser medida de diversas formas. A primeira, claro, diz respeito à saúde e ao bem-estar dos seus colaboradores. Uma gestão de pessoas mais humana traz benefícios a empregadores e a seus profissionais, promovendo um ambiente acolhedor, seguro e que ajuda a atrair os melhores talentos para o negócio. Veja quais as outras razões para agir em favor da prevenção.

Diminuir os índices de afastamento

As doenças ocupacionais são responsáveis por grande parte dos licenciamentos e afastamentos nas empresas, os quais podem, inclusive, ser permanentes. Essas ocorrências causam prejuízos aos trabalhadores e ao negócio, que acaba perdendo os níveis de produtividade. A consequência é o aumento dos índices de rentabilidade e de lucratividade do negócio, pois as margens de custos são reduzidas.

Melhorar a qualidade de vida e bem-estar

Como mencionamos, o bem-estar e a saúde dos colaboradores criam um ambiente de trabalho mais produtivo, o que ajuda a manter em sua equipe os melhores profissionais do segmento. As doenças ocupacionais causam insatisfação e prejudicam o engajamento dos colaboradores, afetando o seu desempenho.

Reduzir os custos

Este benefício é resultado direto do aumento da produtividade e da queda nos prejuízos com afastamentos (diminuindo, por exemplo, os gastos previdenciários). Dependendo do ramo de atividade, a prevenção pode, até mesmo, interferir nos valores cobrados pelos planos de saúde, pois reduz os índices de sinistralidade.

A empresa também tem menos custos com a substituição e treinamento de novos funcionários, além de evitar futuras ações trabalhistas.

Aumentar a produtividade e faturamento

Por fim, outra ocorrência direta de todos esses benefícios é o aumento da produtividade e do faturamento do negócio. Além disso, a empresa passa a ser mais bem-vista no mercado e a ter melhores resultados gerais, tornando-se uma referência em seu campo de atuação. Todos esses detalhes dependem, sem dúvida, uns dos outros.

Entender quais são as principais doenças ocupacionais que podem estar relacionadas à atuação da sua empresa e saber como preveni-las é essencial para manter a qualidade de vida dos trabalhadores e melhorar os resultados do negócio.

Promova ações de prevenção constantemente e avalie que campanhas podem ser realizadas para melhorar o ambiente, ajudando, inclusive, na criação de hábitos mais saudáveis entre seus colaboradores.

Oferecer um plano de saúde de qualidade pode ser uma ação preventiva fundamental para a sua empresa, mas isso não é tudo. Quer saber mais sobre o assunto? Faça o download gratuito do material Segurança do Trabalho: o guia sobre os conceitos e práticas que você precisa conhecer e entenda mais sobre esse tema tão importante!

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