As doenças bucais são um problema muito comum na população brasileira. Seja pela falta de cuidados pessoais, ou até mesmo em razão da ainda limitada infraestrutura na rede pública.

Nesse contexto, precisamos falar sobre um assunto muito importante: as doenças bucais associadas ao ambiente de trabalho. O cotidiano de certas profissões pode contribuir para o aparecimento de problemas na boca, por razões normalmente relacionadas tanto às rotinas e atribuições quanto às condições oferecidas pelos empregadores.

Independentemente das causas, é fundamental que conversemos sobre as principais doenças bucais relacionadas ao trabalho, de modo a informar ao trabalhador e gestores sobre os problemas mais comuns, suas formas de prevenção e tratamentos, com o objetivo de proporcionar mais qualidade de vida ao ambiente profissional.

Pensando nisso, preparamos uma lista com as doenças mais comuns e conversaremos também sobre suas manifestações clínicas, sintomas, diagnósticos e tratamentos. Boa leitura!

Quais são as causas de doenças bucais relacionadas ao trabalho?

Pode até parecer estranho, mas muitas doenças bucais podem estar relacionadas ao ambiente de trabalho. Poucas pessoas, no entanto, reconhecem esse tipo de risco ocupacional e, principalmente, as suas causas. Então, que tal conversarmos sobre isso e vermos quais razões levam à ocorrência de tais problemas?

Antes de mais nada, precisamos falar sobre os principais riscos ocupacionais, ou seja, que estão ligados ao ambiente de trabalho. Eles são:

  • ruídos;
  • vibração;
  • temperaturas (altas e baixas);
  • ventilação (ou locais abafados);
  • pressão;
  • umidade (alta e baixa);
  • estresse;
  • fungos;
  • bactérias;
  • parasitas;
  • produtos químicos;
  • movimentos repetitivos.

Tendo isso em vista, é possível estabelecer a relação entre alguns problemas bucais e determinados tipos de emprego, já que nem todos os riscos ocupacionais causam doenças na região da boca.

Os principais tipos de indústrias e segmentos que têm alguma relação com esses problemas são:

  • indústria petroquímica;
  • garimpo e mineração;
  • marcenaria;
  • provadores de alimento (como o café e o vinho, por exemplo);
  • indústria alimentícia;
  • fábricas de cimento;
  • sapateiros;
  • padeiros;
  • mecânicos;
  • setor agropecuário;
  • músicos (que lidam com instrumentos de sopro);
  • construtores civis;
  • metalúrgicos;
  • cozinheiros.

Apesar dos riscos maiores para trabalhadores dessas áreas, nada impede que qualquer tipo de funcionário seja afetado pelas doenças bucais em seu trabalho. Muitas vezes, a rotina pesada e a falta de incentivo por parte dos gestores pode contribuir para que esses problemas surjam e se intensifiquem graças aos cuidados ineficientes.

Quais são as doenças bucais mais comuns aos trabalhadores?

Como podemos ver, trabalhadores de vários setores podem ser vítimas de problemas bucais, muitas vezes atribuídos justamente aos seus ofícios. Pensando nisso, separamos algumas das doenças mais comuns para que você conheça os sintomas e particularidades, com o intuito de saber como identificá-las e preveni-las!

1. Erosão dentária

A erosão dentária é um problema particularmente perigoso por um motivo bem simples: não apresenta sintomas característicos e atua de modo quase silencioso, até que o estrago feito seja considerável. Por isso, as consultas periódicas com um dentista são fundamentais para caprichar na prevenção deste mal.

O problema é caracterizado principalmente pelo desgaste excessivo do esmalte, camada de recobre os dentes. Os principais sintomas incluem a despigmentação dos dentes, que se tornam manchados, e a sensibilidade excessiva da região (especialmente a alimentos muito frios ou quentes).

O tratamento inclui o uso de cremes dentais específicos e de táticas para evitar a abrasão da área. Além disso, alterações na alimentação ou no estilo de trabalho também podem contribuir para ajudar os dentes a se recuperarem do dano causado.

2. Gengivite

A gengivite é caracterizada por uma inflamação na região da mucosa gengival e, portanto, seu principal sintoma é a vermelhidão na região. Além disso, o sangramento na área também é muito comum, especialmente nos momentos do uso do fio dental ou na hora de consumir alimentos muito rígidos (como uma maçã, por exemplo).

Quando não tratada, a gengivite pode evoluir para problemas muito sérios, como a periodontite. Esse tipo de problema afeta não só a boca, mas a saúde de todo o organismo. Portanto, tratá-la rapidamente é fundamental para evitar seu avanço, que pode fazer até mesmo com que dentes sejam perdidos, além de trazer muita dor e desconforto.

O principal tratamento para a gengivite em estágio inicial consiste na promoção de cuidados mais aprofundados com a higiene bucal. O dentista também efetuará uma limpeza completa dos dentes, para remover os focos de placa bacteriana que estão causando a inflamação e evitar que eles se transformem em tártaro.

3. Estomatite ulcerativa

Popularmente conhecida como afta, a estomatite ulcerativa pode ter uma infinidade de causas. Algumas delas incluem a alimentação, o contato direto com compostos irritantes ou até mesmo situações estressantes, que podem contribuir para que o ácido do estômago volte para a região bucal e agrida as suas mucosas.

Além disso, é importante salientar que esse problema pode aparecer como sintoma de outras doenças bucais, como cáries ou a gengivite, mencionada logo acima. Bastante dolorosa e incômoda, a afta pode se tornar um problema crônico e afetar negativamente a qualidade de vida daqueles que lidam com ela.

As aftas são normalmente autolimitantes, ou seja, se resolvem sozinha em cerca de duas semanas. No entanto, algumas medicações podem ser utilizadas para atenuar a dor e o desconforto dos pacientes. Outro ponto importante é descobrir a causa desse problema, para que seja tratado e outras aftas sejam evitadas no futuro.

4. Cáries

Conhecida por boa parte da população, a cárie é um problema bastante comum e recorrente entre trabalhadores, especialmente os que trabalham com a produção de alimentos ou qualquer outro aspecto da indústria alimentícia. Isso acontece graças ao ato de provar constantemente as receitas que estão sendo produzidas e à consequente falta de higienização periódica.

A cárie entre os trabalhadores também é associada à presença de xerostomia, problema conhecido como boca seca. O contato com produtos químicos pode fazer com que a boca pare de produzir saliva em quantidade suficiente, o que favorece a proliferação bacteriana na região.

Esse problema é bastante sério e, quando não tratado, pode levar o paciente a ter dores muito fortes e uma consequente queda na produtividade, bem como ocasionar a perda completa do dente. Por isso, é necessário tratar a situação o quanto antes, a fim de evitar que ela se agrave.

5. Periodontite

A periodontite pode ser vista como uma evolução da gengivite, problema mencionado pouco mais acima. Ela é uma infecção que atinge áreas mais profundas da região bucal, como os ossos e até mesmo os nervos que circundam os nossos dentes.

Essa doença ocorre quando a placa bacteriana se solidifica e as bactérias ali presentes passam a se proliferar cada vez mais para o interior dos dentes. Isso pode gerar uma dor extremamente forte, além de fazer com que os dentes caiam ou apareçam abscessos, muito comuns às infecções.

O tratamento normalmente é feito com um conjunto de abordagens, tanto medicamentosas (principalmente com anti-inflamatórios e antibióticos), limpezas e possíveis procedimentos de canal ou drenagem de abscessos presentes.

Como pudemos observar, as doenças bucais associadas ao ambiente profissional podem ter muitas causas. Além disso, inúmeros tipos de trabalhadores podem ser afetados por esse problema. Por isso, conhecer as enfermidades é fundamental para saber exatamente como preveni-las e trazer muito mais qualidade de vida aos trabalhadores de uma empresa.

Gostou deste artigo? Então, confira nosso texto sobre a importância de oferecer um plano odontológico para os funcionários e saiba ainda mais sobre a relação entre trabalho, saúde bucal e prevenção de doenças ocupacionais!

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