Iniciativa, que busca reduzir o excesso de cesáreas do país, conseguiu aumentar a taxa de partos vaginais em 76% nos hospitais participantes.

No campo da atenção ao parto e ao nascimento, o Brasil é o campeão mundial de cesarianas. Trata-se de um título do qual não podemos nos orgulhar, uma vez que essa realidade está na contramão das evidências científicas e das melhores práticas internacionais.

Para se ter uma ideia, no Brasil, em 2015, a proporção de partos cesáreos foi de 57%, contra uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de apenas 15%! No setor de saúde suplementar, o índice é ainda maior: 84%.

O que leva a um número tão alarmante, segundo evidências científicas, não são necessidades clínicas, mas fatores diversos como: cultura médica intervencionista; forma de organização e financiamento dos sistemas de saúde; aspectos socioeconômicos; e características psicológicas e culturais das pacientes.

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Problemas associados à realização indiscriminada de cesáreas

O excesso de cesarianas é um dos principais responsáveis pelo elevado número de prematuridade no Brasil – só em 2012, 12,4% do total de bebês nascidos vivos no país eram prematuros. As consequências desse número não são nada boas.

Afinal, o parto prematuro é uma das principais causas de mortalidade infantil antes dos cinco anos. Devido à imaturidade fisiológica e às intercorrências durante internações em UTIs, bebês prematuros podem desenvolver sequelas de saúde, danos incapacitantes ou até falecer.

Já as complicações maternas decorrentes de cesáreas podem envolver desde episódios de perda excessiva de volume de sangue até eventos com consequências mais severas, como infecções e acidentes anestésicos.

Além das consequências para a saúde das mães e bebês, o excesso de cesarianas sem indicação clínica tem consequências econômicas para o sistema de saúde.

Estudos indicam que um bebê prematuro custa em média doze vezes mais para o Governo do que um bebê que nasce “a termo”, já que os primeiros têm a saúde mais vulnerável, ficam internados por mais tempo, precisam de assistência de saúde após a alta etc.

O projeto Parto Adequado busca reverter esse quadro

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Diante desse cenário, em 2015, uma parceria da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) e do Institute for Healthcare Improvement (IHI), dos Estados Unidos, com o apoio do Ministério da Saúde, resultou no projeto Parto Adequado.

A iniciativa, inédita no Brasil, tem como objetivo – definido em conjunto com o grupo de hospitais participantes – elaborar, testar, avaliar e disseminar um modelo de atenção ao parto e nascimento que:

  • favoreça a qualidade nos serviços;
  • valorize o parto normal;
  • contribua para a redução de cesarianas desnecessárias e dos riscos delas decorrentes.

Para atingir esses objetivos, o Parto Adequado se dividiu inicialmente em duas etapas:

  • Fase 1: desde 2015, 26 hospitais participam do projeto-piloto e 9 são seguidores ou colaboradores, totalizando 35 hospitais. Adicionalmente, diversas operadoras de planos de saúde – entre elas a Golden Cross – apoiam o projeto.
  • Fase 2: a partir deste ano, com os aprendizados da fase I, os hospitais que se destacaram foram selecionados para multiplicar o projeto em 10 novas áreas do Brasil, ampliando o alcance das ações. Nesta fase, o projeto abrange até 150 hospitais!

Como o Parto Adequado atua

Pela complexidade do problema, o Projeto iniciou sua atuação em diversas frentes:

  • Propôs intervenções no sistema de saúde através da interlocução com lideranças de hospitais e de sociedades médicas, profissionais e planos de saúde;
  • Adotou medidas voltadas às gestantes, como a melhoria do acesso à informação através de reuniões e grupos, bem como das próprias condições para o parto;
  • Organizou um rigoroso sistema de acompanhamento e coleta das informações sobre as práticas e resultados para entender quais mudanças geraram melhoria.

Na prática, uma das principais contribuições do projeto foi a proposta de reorganização da assistência às gestantes por meio da introdução de uma equipe multiprofissional para assistir ao parto, e não apenas o médico.

Neste modelo, que envolve diversos outros profissionais, a gestante sempre tem à disposição um médico, além de uma enfermeira obstetra de sobreaviso, para realizar a assistência ao trabalho de parto e ao próprio parto – o que estimula o parto vaginal.

Merece destaque também mudanças na prática profissional que tornaram a assistência menos intervencionista e mais humanizada, tais como:

  • aumento da utilização de métodos não farmacológicos para alívio da dor;
  • fim do jejum durante o trabalho de parto;
  • estímulo a diferentes posições para o parto, não se limitando a posição deitada;
  • observação da obrigatoriedade da presença do acompanhante durante todo o parto e recuperação.

Além dessas mudanças, diversas transformações na infraestrutura dos hospitais precisaram ser implantadas para acomodar o parto não cirúrgico e criar prontidão para o parto vaginal. Como exemplo, podemos citar a modificação de apartamentos para abrigar o parto natural.

Principais resultados da fase 1

Abaixo, conheça os principais resultados do projeto-piloto.

  • Dos 35 hospitais participantes, 32 aumentaram as taxas de parto vaginal. Nesse grupo, a taxa média cresceu 43%: de 23,8% para 34%;
  • Entre os 26 hospitais do grupo-piloto, a taxa de partos vaginais cresceu 76%: de 21% para 37%;
  • Mais de 10 mil cesáreas sem indicação clínica foram evitadas;
  • Redução das taxas de admissão em UTI neonatal: de 86 para 69 por mil nascidos vivos;
  • 400 internações em UTI neonatais foram evitadas.

A Golden Cross apoia o parto adequado

A Golden Cross elaborou um hotsite no qual você pode se inscrever no projeto e participar do Clube da Gestante, conhecer os hospitais credenciados que já aderiram e ainda baixar o Cartão da Gestante, que auxiliará você a receber um atendimento qualificado e focado nos objetivos do projeto.

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