Veja também quando ela – apesar de parecer – não é a melhor solução.

O Brasil é o campeão mundial em número de cesarianas. Dentre todos os nascimentos registrados por aqui, 57% são cesáreas (84% se considerarmos apenas a rede privada). São números alarmantes, principalmente quando comparados com estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS), que recomendam apenas 15% de partos desse tipo.

Apesar de as cesarianas, em alguns casos, como veremos adiante, serem de fato a opção mais indicada, esses números são injustificáveis sob qualquer aspecto. Afinal, eles estão muito acima dos níveis aceitáveis em qualquer parte do mundo.

Leia também: conheça o projeto Parto Adequado, apoiado pela Golden Cross.

Nesse sentido, fica claro que muitas das cesarianas simplesmente não precisariam acontecer. Com o devido esclarecimento, muitas gestantes poderiam optar por realizar um parto vaginal, conhecido como parto normal, que apresenta diversas vantagens.

  • Recuperação mais rápida e menos dolorosa para a mãe;
  • Menor risco de infecções, hemorragias e de problemas respiratórios no bebê;
  • Menor incidência de partos prematuros.

Entenda a cesariana

O número excessivo de cesáreas pode ser explicado por diversos motivos, como uma cultura intervencionista, a forma de organização e financiamento dos sistemas de saúde, bem como aspectos culturais, entre outros.

O parto cesáreo, porém, não deixa de ser uma cirurgia. Para realizá-lo, a equipe multidisciplinar comandada pelo cirurgião obstetra aplica anestesia, geralmente peridural, e realiza um corte no sentido transversal, na parte baixa do ventre da gestante.

Mulheres que passam por cesarianas, portanto, são mais suscetíveis a infecções, sangramentos excessivos, dores pós-parto e a uma recuperação mais longa.

Esse exagero ainda causa outro problema grave de saúde pública: o elevado número de partos prematuros no Brasil – uma das principais causas de mortalidade infantil antes dos cinco anos.

Apesar de tudo isso, lembramos mais uma vez, nem toda cesariana deve ser evitada, já que muitas vezes ela é a melhor solução para evitar riscos tanto para a mãe quanto para o bebê. O problema, como já informamos, é a sua realização sem necessidade.

Veja agora os casos em que a cesariana é recomendada e quando, apesar de parecer, ela não é a melhor solução.

Leia com atenção e lembre-se: a mãe deve conversar com seu obstetra para, junto com ele, tomar a decisão mais segura para si e para o bebê.

Quando a cesariana é realmente necessária

A identificação da necessidade de cesárea pode ser feita tanto durante o pré-natal quanto no momento do trabalho de parto (por fatores que não poderiam ser previstos).

Veja abaixo os casos em que a cesariana pode ser programada previamente.

– O bebê está em posição sentada, ou pélvica, até a hora do parto: como a cabeça é a parte do corpo do bebê com maior diâmetro, essa posição torna mais difícil saber se ela vai passar pela vagina durante o parto. Por isso, a cesárea costuma ser a opção mais segura nesses casos.

Entretanto, em algumas ocasiões, é possível realizar o parto normal, desde que a mãe e o bebê cumpram determinados pré-requisitos e o médico esteja de acordo. Saiba mais;

– Ocorrência de problemas com a placenta: se a mãe tem placenta prévia, ou seja, quando o órgão está numa posição baixa, encobre o colo do útero e bloqueia a saída do bebê, ou se ocorre seu descolamento prematuro, quando a placenta se separa da parede uterina antes da hora, a cesariana é a via mais recomendada;

– Casos de pré-eclâmpsia: trata-se de uma patologia grave, que acomete a mãe, e se caracteriza pela elevação da pressão arterial, entre outros sintomas. Na maioria dos casos, o problema surge após a 37ª semana, e os obstetras normalmente recorrem à cesárea porque esperar o parto normal é muito arriscado. Saiba mais;

– Outros casos: a cesárea também costuma ser indicada na gestação de três ou mais bebês ou quando a mãe tem erupção de herpes genital até um mês antes do parto (infecção que pode ser transmitida para o bebê).

Veja agora os casos em que a cesárea é exigida durante o trabalho de parto

Os obstetras ainda recorrem à cesárea quando surge uma intercorrência (situação crítica) durante o parto. Veja os principais casos:

– Redução drástica no fluxo de oxigênio ou nos batimentos cardíacos do bebê;

– O cordão penetra no canal de parto antes da cabeça do bebê: isso pode levar a um corte de sua fonte de oxigênio;

– Descolamento da placenta durante o parto;

– Falta de movimentação do bebê pelo canal do parto: isso pode ocorrer porque o colo do útero parou de dilatar ou por alguma outra razão.

Saiba quando a cesárea não é recomendada

Veja agora alguns casos que muitas vezes são usados como argumento para uma cesárea, mas que não justificam por si só recorrer a ela:

– Cordão enrolado no bebê: trata-se de uma ocorrência relativamente comum, mas que não é determinante para a prescrição da cesárea, uma vez que o bebê se mexe dentro da barriga o tempo todo. Durante o parto normal, se observar a presença de um cordão enrolado, o obstetra apenas “desenrola” o mesmo pela cabeça ou pelo corpo.

– Falta de dilatação: isso até pode acontecer por um distúrbio no colo do útero, o que é muito raro (menos de 1% dos casos). Na maioria das vezes, porém, se a dilatação não começou é por que não chegou a hora mesmo.

– Passou da 40ª semana de gravidez: cada bebê tem um tempo diferente. Por isso, caso a gestante não entre em trabalho de parto após a 40ª semana, não há motivo para desespero. O bebê deve ser constantemente monitoramento para uma correta avaliação de suas condições.

– Se a mulher teve uma cesariana anterior: isso não é condição que exige nova cesárea. Agora, se a mulher passou por duas ou mais cesáreas, os riscos de ruptura uterina são maiores e os médicos podem avaliar a possibilidade de realização de uma nova cesariana.

– O bebê é grande demais: isso é relativo. Para a medicina, um bebê grande demais tem mais de 4,5 quilos, o que é raríssimo. Além disso, é preciso considerar outras variáveis, como tamanho da bacia da mulher, para que o obstetra tome essa decisão.

– A mulher tem verrugas genitais, mioma ou HPV: isso não é suficiente para justificar uma cesárea, a não ser que obstruam a passagem do bebê.

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